Ex-ministra alemã perde título de doutora por plágio

Franziska Giffey já havia sido repreendida por irregularidades em sua tese. Apesar de destituída do doutorado, concorrerá à prefeitura de Berlim. Segundo partido, cabe aos eleitores decidir em quem confiam.

A ex-ministra da Família da Alemanha Franziska Giffey (2018-21) foi destituída do título de doutora, após a Universidade Livre de Berlim (FU) ter concluído, “unanimemente, em seguida a deliberação abrangente”, que sua tese foi baseada em “falsidade quanto à autonomia de seu desempenho científico”. Em outras palavras: plágio.

A perda do grau acadêmico representa um duro golpe pessoal para a política social-democrata, que nas eleições de setembro próximo concorre ao cargo de prefeita de Berlim. “Aceito essa decisão”, declarou nesta quinta-feira (10/06), após a divulgação da retirada do título.

Giffey, no entanto, sustenta sua afirmativa de que “redigi o trabalho entregue em 2009 segundo meu melhor saber e consciência”. Apesar de lamentar “erros” que possam lhe ter escapado durante a redação da tese, “estes não foram nem intencionais, nem planejados”.

Segundo a FU, textos e dados bibliográficos de outros autores foram reproduzidos sem serem suficientemente identificados como tal. A doutoranda teria “agido de modo pelo menos parcialmente intencional”, e seu trabalho não satisfaria “as exigências da boa prática científica”.

Ex-ministros alemães Karl-Theodor zu Guttenberg e Annette Schavan

Zu Guttenberg (esq.) e Schavan acabaram renunciando a pastas após constatação de plágio acadêmico

Candidatura como prefeita mantida

Após um primeiro processo, em outubro de 2019, ela apenas recebera uma reprimenda da instituição de ensino superior. Contudo o caso foi reaberto em novembro de 2020, e em reação a esse novo escrutínio a ministra anunciou que deixaria de usar o titulo de doutora. Além disso, se a universidade decidisse destituí-la, também deixaria o cargo. Em 19 de maio, Giffey de fato renunciou à chefia da pasta da Família.

Apesar do escândalo acadêmico, a política de 43 anos segue com a candidatura pela prefeitura da capital alemã. O Partido Social-Democrata (SPD) mantém seu apoio “na campanha eleitoral e pelo futuro da cidade”, comunicou o colíder estadual do partido Raed Saleh. Segundo ele, os berlinenses é que vão decidir “a quem confiarão a Prefeitura Vermelha”.

O caso de Franziska Giffey não é único, e sequer raro, na política alemã. Entre os antecedentes mais notórios, estão os dos então ministros da Defesa Karl-Theodor zu Guttenberg e da Educação Annette Schavan, assim como da vice-presidente do Parlamento Europeu Silvana Koch-Mehrin, que perderam o doutorado por plágio e renunciaram aos cargos entre 2011 e 2013.

Até mesmo a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, e o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, foram confrontados com acusações de fraude, mas que em seus casos foram avaliadas como meros erros de citação.

av/ek (AFP, DPA)

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    Segundo autos processuais divulgados em 7 de janeiro de 2021, a rapper Nicki Minaj foi sentenciada a pagar US$ 450 mil à cantora e compositora Tracy Chapman, cuja “Baby can I hold you” foi usada em “Sorry”. Os pedidos anteriores da equipe de Minaj para utilização haviam sido repetidamente recusados. Aí a canção acabou vazando no rádio e tornou-se um hit.

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  • Sam Smith 2014 (picture-allianc/empics/Y. Mok)

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    Outra estrela pop suspeita de ser plagiadora é Shakira. Em 2014, um tribunal federal americano concluiu que seu sucesso “Loca” era uma cópia ilícita de “Loca con su Tiguere”, de Ramon Arias Vasquez, da República Dominicana. Um ano mais tarde, porém, a sentença foi retirada, por ter se baseado em provas falsas.

  • Bob Dylan (picture alliance/dpa/J.Lo Scalzo)

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    Foi a jornalista americana Andrea Pitzer quem notou que umas 20 frases do discurso de Bob Dylan na entrega do Prêmio Nobel da Literatura em 2017 foram surrupiadas de um guia interpretação para estudantes do romance “Moby Dick”, de Herman Melville. Mas o poeta pop nem pensou em citar a fonte.

    Autoria: Paula Rösler, Augusto Valente


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