“Cepa América”: dá pra culpar os jogadores?

“Não podemos exigir boicote dos que dependem da FIFA e da CBF, mas devemos pressionar aqueles que financiam os donos da bola. O evento já está vazio de público. Se esvaziarmos o evento de patrocinadores, não vai ter Copa!”, escreve o colunista Leonardo Stoppa

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Por Leonardo Stoppa

O futebol é controlado por um pequeno grupo de grandes empresas como a Nike, que se materializam em institutos como a FIFA, que são monopólios no esporte. Será que realmente poderíamos culpar os jogadores por não boicotarem a Copa América”?

Acho que não, acho que estamos no caminho certo e o boicote à copa precisa vir não daqueles que, se realmente “boicotassem” o evento, poderiam dar fim às suas carreiras. Isso mesmo… No futebol não existe uma alternativa para o jogador. Se ele brigar com a FIFA ou com a CBF, é fim de carreira, porém, podemos mostrar para os patrocinadores como é negativa essa associação do esporte com o genocídio do povo brasileiro, e isso funciona e já levou embora a Mastercard e a Ambev.

Sou conhecido por minhas teorias conspiratórias, que pelo menos na bolha progressista nem são tão conspiratórias assim… A “Cepa América”, a meu ver, é uma tentativa do Bolsonaro de desviar o foco da CPI e das suas atrocidades na condução da imunização do rebanho, (e digo “do” porque apenas o eleitorado fanático acreditou na inexistência do vírus ou no tratamento precoce). Trazer para o Brasil o esporte que até então era a paixão do povo brasileiro obrigaria que a imprensa mudasse de pauta, e é sonhando com isso que o articulista do gabinete do ódio insiste tanto na “Cepa América”, mas, será que vai dar certo?

Não! Um evento de futebol em momento de crise política pode até juntar multidões para comemorarem os jogos, com muita cerveja, shows e alegria, porém, a cerveja “pulou fora” do evento, e não é pra menos… Não podemos ter shows, comemoração e tampouco alegria. O clima é de luto e pelo menos dessa vez, não vai ser um hino do tipo “a copa do mundo é nossa” que vai mudar a cabeça do povo, exterminado pelo mantra do tratamento precoce.

Mas e os jogadores? São realmente os monstros que estamos pintando. É preciso um pouco de empatia nessa hora: ao jogador cabe decidir entre entrar na copa ou entrar para a história. Aquele que peitar o “dono” do futebol em nome de um bem social que infelizmente ainda divide opiniões, estará dando adeus a sua carreira e pior: sem a certeza se será lembrado como herói ainda neste século.

Não podemos exigir boicote dos que dependem da FIFA e da CBF, mas devemos pressionar aqueles que financiam os donos da bola. O evento já está vazio de público. Se esvaziarmos o evento de patrocinadores, não vai ter copa!  

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